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Tanta Confusão por "quase nada"
Ter a dimensão certa das coisas é difícil, principalmente quando estamos falando de governos e de imprensa. Enquanto um se preocupava em dar ares dramáticos à situação, o outro agia como se nada estivesse acontecendo. O resultado disso tudo está aí: temos 42 pessoas internadas com reações severas por terem tomado mais de uma dose da vacina, que tem validade de 10 anos.
Entretanto, um lado tem a desculpa da falta de pauta nesta época do ano. E o outro pode dizer que o ano começa apenas depois do carnaval.
2008 o ano das fadas
Estamos diante do ano das fadas. Nunca os municípios funcionaram tão bem. Pelo menos esse é o discurso de todas as administrações municipais. Desenham tudo de uma forma mágica, dimensionam o que fizeram, o que pretendem fazer, e até o que sabem que não sairá do discurso. O pior vai ser as oposições, que vão começar a derrubar esse castelo de sonhos.
Antes e depois da cerveja
O telefone tocava profundamente, levantei ainda bêbado da noite anterior, cambalhotando até conseguir chegar até aquele pequeno aparelho, que pelo barulho que expelia parecia ser gigantesco. Mesmo sem ter a mínima noção do que a pessoa do outro lado falava tive a certeza que era engano. Esbravejei, depois de desligar o telefone. Não tinha certeza se estava realmente acordado, o banheiro parecia estar a quilômetros da sala, lavei o rosto, ficando intermináveis segundos com a cabeça na pia, quando finalmente ergui o rosto fitando-me pelo espelho, vi o quanto estava acabado.
Procurei algum motivo para ficar acordado, mas a vergonha me censurava de uma maneira inexplicável, tentei sem sucesso descobrir que horas eram, não conseguia me concentrar em nada, difamei o caminhão de cervejas que tinha ingerido na noite anterior, voltei a ritmo de funeral para o meu quarto, me joguei na cama apenas tirando a força das minhas pernas. Caí pensando em dormir até tudo isso passar.
Rolava na cama, tentando vencer o sino que habitava minha cabeça, estava em um lugar estranho, não tinha forças para ficar acordado, muito menos tranqüilidade física para dormir. Essa sensação me tirava do mundo, toda vez fixava minha mente em algo, um barulho escandaloso me estremecia todo, era minha cabeça avisando das minhas impossibilidades naquele momento.
Olhei para a carteira de cigarros jogadas no chão do quarto, aquilo me fez segurar boa parte das cervejas na garganta, fui me arrastando novamente para o banheiro, abri o chuveiro e deixei a água bater na minha cabeça, passando pelo meu corpo. Nesse momento percebi que estava com a roupa do dia anterior ainda, consegui tirar a roupa, mesmo sem forças e com ela molhada grudando no meu corpo. Depois de alguns minutos no chuveiro, saí ainda molhado e me joguei sem roupas no sofá. Adormeci logo.
Acordei, assustado com o telefone, corri para atender, do outro lado um amigo querendo saber se eu demoraria muito para passar na casa dele para irmos pescar. Claro a pescaria como pude esquecer, nesse momento percebi que estava nu, desliguei o telefone, pedindo mais alguns minutos. Fui até o banheiro, vi a roupa molhada, não entendi muito o porquê. Todavia estava atrasado, me lavei, fui ao quarto para me vestir, peguei algo para comer na geladeira, vejo uma cerveja me olhando sorridente, não vejo mal algum. Pego o material de pesca, e algumas cervejas e saio.
A medida da felicidade
A nebulosa visão do paraíso não pode encantar os olhos de um simples admirador de sonhos. Difícil é traçar a fusão entre a realidade e a imaginação, questões obvias do dia-a-dia parecem ser tutores do imaginário. Entretanto, a criatividade de uma mente perturbada confunde-se com os fatos, até corriqueiros, de uma liberdade meio fora de moda.
Projetar o mundo, sem pilares bem arquitetados, é bem mais fácil do que conviver com as diversas intempéries que a vida joga aos montes. No santo dia, que é cada dia. Mas, os sonhos se calam. Os sonhos se censuram. São submetidos a julgamentos irracionais, prá lá de racionais com o passar do tempo.
Entender essa relação impiedosa é estar fora de um mundo normal. Encantar-se com o mundo não pode ser uma alienação. Todavia, fugir da realidade é insano, quase imoral. A medida equivalente dessa balança, talvez seja a felicidade. Talvez.
Escolhas
Observando alguns amigos e amigas, em ritmo de vestibular, percebi como os sonhos se constroem, e se acabam em poucos dias. Estamos em um ano eleitoral, escolheremos prefeitos e vereadores para os nossos municípios. Podemos até ver nossos sonhos acabar com as nossas escolhas, entretanto precisamos estar preparados para escolhermos as alternativas certas. Assim como um estudante no vestibular.
Onde está o Feliz Ano Novo?
O ano está chegando ao fim, retrospectivas em todos os meios de comunicação, votos de um 2008 melhor saltitam por toda parte. Isso é contagiante, empolgante e renovador. Entretanto, pecamos no passo primordial disso tudo.
Jean-Paul Sartre, filosofo francês, diz que a nossa maior prisão é a liberdade. Somos obrigados a sempre fazermos escolhas, e não podemos nunca fugir disso. Logo, nós somos determinados a escolher o nosso futuro. Ninguém mais. Por isso, pouco adianta os votos de um ano melhor, se não estivermos dispostos, durante o próximo ano, a fazer as escolhas certas.
Mas qual é afinal a escolha certa? Esse é o nosso grande desafio, para saber qual é o caminho certo para o próximo ano, não podemos nunca esquecer o ano que passou, sendo ele bom ou ruim. Não podemos dispensar os exemplos de sucesso, nem os de fracasso. Avaliar tudo o que passamos, e quem nos cerca é sem dúvida estar no caminho da escolha certa.
Todavia, não podemos esquecer que as escolhas são nossas, tudo que nos influencia pode participar das escolhas, mas nunca as farão.
O meu Natal lado B
Faz tempo que o natal perdeu o encanto, mas esse ano ele foi especial. O dia 24 começou turbulento, mais uma vez meu coração pregou uma de suas peripécias. Essas histórias de dor de cotovelo, coisas que acontecem. Ainda estava desnorteado, andando meio perdido pelas ruas da minha pequena cidade, observando a ansiedade e a alegria alheia, quando uma amiga, gritando meu nome, de longe, se aproxima. Suas palavras foram incisivas: “Júnior sei das tuas descrenças, mas eu preciso te falar. Sonhei as últimas duas noites contigo. No sonho tu sofrias um acidente. Cuidado quando sair de carro.”
Isso me abalou. Pode-se dizer que me abalou profundamente. Caminhei mais algumas quadras em estado de choque. Um martelo assombrava meus pensamentos. Os dois acontecimentos daquela tarde estavam selando minha noite de natal. Cheguei na casa de um amigo. Lá, sem querer, formou-se uma reunião. Estávamos reunidos, brindando o natal, antes de cada um ir para junto de sua família. Cerveja e risadas. Rolou até um joguinho de truco.
Quando levantei para ir embora, senti que estava leve. Não, não era a cerveja. Fui até minha casa contagiado por um sentimento estranho. À noite, saí com meus pais. Passamos a ceia na casa da noiva do meu irmão. Nada em especial.
Depois saí de carro para descontrair. Acabei encontrando alguns amigos em um bar. Fiquei até ao amanhecer sentando conversando besteiras e futilidades. Quando entrei no carro para andar as poucas quadras até minha casa, antes de ligar, percebi o quanto foi bom meu natal. Apesar das únicas coisas dignas de atenção terem sido ruins. Percebi que a simplicidade das coisas boas falaram por si só.
Feliz Natal
Acreditar no capeta é ter uma crença, e nós acreditamos nesse diabo verde como um instrumento de comunicação. Bem longe de conduzir a verdade, mas sempre na busca do seu caminho.
Assim que fizemos o Blog durante esse ano. Um abraço bem do fundo do coração, a todos que participaram de alguma forma da nossa empreitada. Seja colaborando, comentando, lendo, ou apenas apostando que daria errado.
Um feliz natal, e um ótimo ano novo, mesmo que isso não pareça coisa do capeta.
Entre as petulâncias do tempo
Entre as petulâncias do tempo, encontrei minha vida jogada em uma estante. Passei a folhá-la com calma, parecia que definitivamente não tinha participado dela. Não era falta de intensidade, muito menos sobra de sanidade, era minha vida até aquele capítulo. Enquanto buscava explicações sobre os mais bizarros e normais acontecimentos, uma pergunta martelava minha lucidez. Qual o sentido, porque pensar nisso?
Não conseguia encontrar uma resposta, ou talvez isso me amedrontasse. O mais estranho era temer algo que não era claro, um ponto nebuloso, justamente como o presente se apresenta ao tempo. O presente não é nada a mais do que um estalo de dedos. Nesse compasso minhas convicções começavam a entrar em um conflito. A melancolia definitivamente dava tons musicais aos meus pensamentos.
Estava longe de não saber quem eu era, entretanto não tinha sentido algum tudo que eu já tinha feito. Pensei em passar a borracha em tudo, como se isso fosse possível, de bate pronto percebi que não conseguiria reescrever meu passado, eu não conseguia nem dar rumo ao meu futuro. É, tudo levava a crer que estava perdido.
No entanto, só pode estar perdido quem está em busca de alguma coisa, e de forma alguma eu poderia afirmar isso, não enquanto eu apenas estivesse folhando a minha vida.
O Jonh Deere está acabando
Agora é oficial. O clima de velório está intalado em Horizontina. A direção da equipe de futsal Jonh Deere liberou todos os seu jogadores para procurar novos clubes. O tricampeão gaúcho esta em busca de novos mantenedores. Segundo o presidente do clube, Luiz Stein, a diretoria busca novos patrocinadores para manter a estrutura funcionando na Liga Nacional em 2008.
Com a dificuldade de novos incentivos, a direção do clube preferiu liberar todos os jogadores da equipe. A empresa de colheitadeiras Jonh Deere não assumirá 100% das despesas do futsal em 2008.
Uma tragédia para os horizontinses que viviam ainda um clima e euforia com a última conquista.
Gol de Reginho na prorrogação garante o tri para o John Deere
Superação. Está é a palavra que resume a conquista do tricampeonato gaúcho consecutivo pelo John Deere Futsal, hoje, após a vitória por um a zero na prorrogação, em cima da UCS, em Caxias do Sul.
O Time iniciou a temporada desacreditado, ficando apenas na 12ª colocação na Liga Nacional e sofrendo para se classificar na Série Ouro, buscou forças para conquistar o titulo. Precisava de um empate no tempo normal, ou em caso de derrota, vencer na prorrogação. No tempo normal 2 a 1 para a UCS, mas na prorrogação brilhou a estrela do goleiro Réginho.
Se no lado da UCS havia uma constelação que atendiam pelos nomes de Bagé, Xoxô, Valdin, Bebeto, Maicky, entre outros, do lado do John Deere havia um talentoso e predestinado a ser o herói do tri. Reginho foi o grande nome do jogo. Desde o primeiro minuto a UCS se propôs a buscar o gol e a vitória no tempo normal para recuperar a vantagem do empate na prorrogação. Precavido, o técnico Serginho da equipe caxiense esperava o melhor momento para pressionar e fazer o gol. Este momento veio na metade do segundo tempo quando Hugo, do John Deere, e Índio, da UCS, foram expulsos, por trocarem cotoveladas em uma jogada lateral. Com menos jogadores em quadra e mais espaço para jogar, a UCS se propôs a pressionar durante os dois minutos que ambas as equipes ficariam com três jogadores em linha.
Com a pressão da UCS, Reginho, goleiro do John Deere, dava sinais que seria o grande nome da final com defesas impressionantes. Mas um chute ele não conseguiu alcançar e Xoxô fez o primeiro gol da UCS, e, logo em seguida, Ricardinho ampliou. A partir do segundo gol da UCS, o técnico Paulinho Sananduva começou a projetar a prorrogação pedindo para o time ter calma e não cometer faltas e estourar o limite de faltas coletivas. Numa roubada de bola, Marcelinho lançou Chico que descontou, mas ficou nisso e a decisão foi para a prorrogação.
Os 10 minutos de prorrogação era o tempo que o John Deere tinha para fazer um gol, não sofrer nenhum e conquistar o tri. Antes de iniciar a prorrogação o técnico Paulinho Sananduva orientou o time jogar com confiança, esperar a postura a UCS para agir e só partir para o tudo ou nada no final, caso fosse necessário. A estratégia deu certo. O time de Horizontina começou tocando a bola e procurando os espaços, enquanto a UCS se fechava e tentava encaixar os contra-ataques. Bem fachada na defesa, a UCS continha os ataques do John Deere, que não finalizava com precisão. Foi ai que brilhou a estrela de Reginho: ao perceber o espaço pelo meio da quadra avançou e chutou forte para o gol da UCS fazendo o gol da equipe de Horizontina.
Daí em diante o John Deere passou a administrar o jogo, e se defender como podia, para comemorar com estilo mais um título. A festa começou ainda no ginásio entre jogadores, comissão técnica, diretoria e torcedores que percorreram mais 500 km, em três ônibus, até Caxias do Sul, para torcer pelo John Deere.
Torcida sobe a serra para empurrar o JD
Nesse sábado, em Caxias do Sul, a região Noroeste estará presente de alma, e incorporada em 12 jogadores, na comissão técnica e em mais de uma centena de torcedores. Toda essa tigrada medonha estará subindo a serra gaúcha para disputar o segundo jogo da final da Série Ouro de Futsal. A equipe do John Deere, entrará em campo defendo o Bi-campeonato contra a equipe da UCS/Cortiana.
Nos anos anteriores, a equipe alvi-verde de Horizontina era favorita, e decidiu em seus domínios a competição. Esse ano, o favoritismo é todo da equipe caxiense, que conta com alguns selecionáveis em seu plantel. Entretanto, no primeiro jogo uma união entre torcida e jogadores promoveu uma virada heróica. A galera da arquibancada já provou, Brasil a fora, sua paixão. Um dos mais fanáticos torcedores do John Deere Futsal, Paulo Stein, sentencia:
- Eu, como acompanho o John Deere desde os tempos de Caipirinha, sinto que a cada grito de incentivo estou dando um passe; a cada roubada de bola, vibro junto com os jogadores; e a cada gol marcado, comemoro como se fosse um gol meu, emociona-se Stein.
É justamente nesse ritmo que a caravana de três ônibus, parte a meia-noite desta sexta-feira. Serão, aproximadamente, 8 horas de viagem para gritar, vibrar e sofrer junto com a equipe em busca de mais esse título.
CPMF parte II
A reforma tributária é imprescindível. Mas o mínimo que se espera das taxas e tributos é que sejam justas, e compatíveis com cada camada da população. Evidente que injustiças sempre ocorrerão, mas elas não podem ser regras. Considero a CPMF um dos impostos mais justos, e tem a seu favor, ainda, a possibilidade de ser uma eficiente arma de fiscalização contra a sonegação.
A questão é: a derrota do governo não foi movida pela redução da carga tributária, foi uma queda de braços entre oposição e governo. Isso realmente é lamentável, enquanto essa novela aconteceu, se gastou muito tempo, deixando de lado o real debate da situação. Precisamos, urgentemente, revisar todo o processo tributário e combater a sonegação.
Sonegar é também um ato de corrupção.
O final da CPMF parte I
O governo federal amargou ontem uma derrota na votação da CPMF. Talvez ontem seja até um exagero, pois a votação acabou acontecendo depois da meia noite. Mesmo com as tentativas de levar a votação para o meio dia de hoje, e com a promessa do presidente de destinar toda arrecadação para saúde, pouco adiantou, o painel de votação apontou no final, 45 votos prol a prorrogação, e 34 contra.
Podemos dizer que o queijo ganhou a batalha, mas a faca continua com afiada, o governo vai dar a resposta.
Feriados laicos?
Mesmo que não faça muita diferença, pois o trabalho por lá é resumido às maselas, hoje é feriado em Brasília: dia do evangélico.
Tipo em Santa Rosa: dia da reforma luterana, em 31 de outubro, espécie de compensação pelas dezenas de feriados católicos no calendário.
Pergunta: O país não deveria ser laico; ou seja: permitir todas as manifestações religiosas, mas não interferir nas coisas da fé?
Só para relembrar...
Durante os últimos dias, surgiram algumas polêmicas sobre o Estacionamento Rotativo de Santa Rosa. Pseudônimos andaram se queixando de supostos privilégios concedidos a Cargos de Confiança do Prefetio Alcides Vicini (veja, neste mesmo blog, o texto "Pseudônimos de Plantão")... como os pseudônimos não tem credibilidade para absolutamente nada, resolvi resgatar um material publicado originalmente no sítio eletrônico LeiteQuente.com:
No mundo dos privilégios inexplicáveis: uns mais iguais que os outros
Vivemos num verdadeiro picadeiro de privilégios inexplicáveis. Temos muitos fenômenos que merecem alguns minutos de reflexão. Como ando a pé, sinto-me mais do que a vontade para verbalizar um destes fenômenos: o estacionamento no centro da cidade. Depois da implantação do estacionamento rotativo, que tem defensores e censuras de todos os lados, cada vaga, isenta de cobrança, próxima ao centro ficou muito mais disputada.
Refiro-me aos que vêm ao trabalho de carro e precisam estacionar durante, no mínimo, um turno inteiro. Ficou, com certeza, muito mais difícil a busca de uma vaga para estes. Mas, no país onde uns são mais iguais que os outros, seres togados têm vantagens que surpreendem a inteligência humana.
Falo da Receita Federal, do Ministério Público Federal e do Poder Judiciário do Estado. Estas entidades ganharam de presente da Administração Pública Municipal duas vagas de estacionamento nas portas de seus locais de funcionamento.
Questionado sobre o fenômeno, o secretário de trânsito, Valmor dos Santos Góes, justificou que as vagas foram solicitas formalmente e cedidas. Disse que não se trata de privilégios. Contou-nos ainda que moradores do Centro da nossa cidade fizeram o mesmo e foram atendidos! A justificativa é o tempo em que esses ilustres moradores habitam nossa cidade e, sem garagem, obrigam-se a deixar seus veículos dioturnamente na frente de suas residências.
Pergunto: que culpa nós temos que essas entidades e esses moradores não possuem garagens para abrigar seus carros?
Vou protocolar na prefeitura, ainda hoje, um pedido solicitando duas vagas aqui na frente da empresa: uma para quando minha mãe vir me visitar, outra para quando conseguir juntar dinheiro para comprar um carro.
***
Esse texto foi publicado no LeiteQuente.com no dia 11 de agosto, de 2006. De lá para cá, o Forum, que tinha duas vagas, pediu mais cinco. Hoje, praticamente, toda a frente do prédio está reservada para os funcionários do órgão, em pleno centro da cidade! Devo ter batido a cabeça com muita força do berço. Só pode!
No alto da inspiração
Enquanto a nicotina embriagava meus pulmões, comecei a imaginar algumas bobagens tão imbecis quanto o meu vício, brigando com o teclado tentava escrever algo útil, para postar no blog, que mesmo sendo fulero, merece um bom tempo da minha atenção. A milonga, que tocava ao fundo, dava o ritmo às tragadas intermináveis no filtro já amassado pela voracidade do meu tabagismo.
Olhando a bagunça da minha mesa, procurava algo qualquer para me colocar no foco do que eu deveria escrever. Veio à minha imaginação, uma pergunta que começou a bater como um sino. O que eu deveria escrever? Há dias, não conseguia me atinar para nada. Tentei até pedir algumas sugestões a alguns amigos, entretanto, nada me chamava atenção. O trabalho realmente estava me consumindo nos últimos dias.
Isso, no fundo me incomodava, mais do que o normal. Notava que a irritação já resvalava às pessoas que me rodeavam. Mas, o teclado continuava pesado. Todas as frases que manchavam a imensidão branca do monitor não tinham fim. E, ao tempo de cada tragueada do cigarro, a ebulição da crise vinha à tona. Estava começando a me convencer de parar com tudo, e buscar alguma besteira para encher minha cabeça.
Todavia, as besteiras e bobagens já estavam impregnadas no meu pensamento e na marrenta fumaça da minha sala. Algo em mim ainda relutava por algumas linhas nexas de um pensamento sóbrio. Não sabia como, e nem donde, buscaria inspiração para vencer meu marasmo intelectual. O teclado parecia querer fugir dos meus dedos.
No alto na minha conivência com tudo que se passava em minha cabeça, como nos contos de fadas, um estalo surge do fundo do escuro túnel das minhas idéias. A luz toma conta dos meus pensamentos. Enfim, parto para ação, ascendo o terceiro cigarro, desligo o computador e desisto de escrever.
Justiça
Júnior Grings
Há poucos dias atrás, enquanto dois amigos conversavam sobre a justiça brasileira, eu ouvia atentamente. Observei que a indignação com a impunidade de alguns políticos era notória, eles não conseguiam achar explicação lógica para alguns fatos e escândalos que estavam ganhando a mídia naqueles dias. Em um determinado momento, notaram meu silêncio e me indagaram sobre o assunto. Titubeei por um momento, mas, enfim, por mais assombrosa que fosse minha resposta eu não poderia fugir dela.
Não queria absolver ninguém, tampouco estava menos indignado, todavia não poderia atirar pedras na justiça da mesma maneira, pelo menos, não no mesmo ponto-de-vista. Antes que a justiça seja omissa que injusta. A justiça não pode errar, ou cometer injustiças, é melhor deixar de punir cem culpados, do que punir um inocente. E é justamente assim que vemos o Poder Judiciário lidar com todas as acusações que pairam sobre os políticos da república.
A minha indignação, é justamente por essa ótica, quando não se trata de pessoas com certa notoriedade, parece que a justiça não tem essa mesma preocupação. Em boa parte das vezes, o judiciário parece não conter o ímpeto de fazer justiça, e acaba em alguns casos cometendo erros. E como muitas dessas pessoas não têm seu caso com certa ênfase pública, fica por isso mesmo.
A simplicidade do amor
Como sorriso de criança ganhando sorvete em domingo à tarde, posso desenhar a simplicidade do amor em minha embriagada mente. Como o amor, algo que em sua essência é simples, pode emaranhar nossas idéias, e por vezes até desvirtuar nossos conceitos de certo e errado.
Muitas pessoas dizem que é muito mais fácil amar, do que explicar o amor. Disso não posso duvidar. Todavia, a questão não é essa. Não quero falar de amar, mas, sim, de amor. O amor é simples. Não pode ser diferente: em sua simplicidade, ele encanta. Entretanto, simplificar as coisas é que é complicado.
Precisamos de combustíveis para qualquer sentimento. Com o amor não é diferente. Geralmente, as pessoas nunca erram nos ingredientes. Mas, sim, nas quantidades. Com sobrecargas de ímpeto e desejo, colocamos o objeto de adoração num degrau acima de nós mesmos. O problema é justamente esse, colocamos o amor em um lugar inalcançável, e damos a vida para alcançá-lo.
Só podemos amar aquilo que faz parte de nós mesmos. Se o objeto amado está apenas em nossa cabeça, só podemos amá-lo lá. Vejo que essa é a grande dificuldade das pessoas ao amarem: elas desenham o amado de tal forma, que ele nunca será realmente assim. Então, poderá ser amado apenas nos sonhos. É com esse pensamento que afirmo: o amor é algo essencialmente simples. O emaranhado de dificuldades é posto por nós mesmos.
Cartas do Norte
Sorte pela sorte
9 horas do dia 06/08 às 7 horas do dia 07/08
Nada pode ser mais azarado do que a sorte, em um minuto estamos rodeados pela sorte, em outro ela resvala. E se não tivesse aparecido estaríamos no lucro. É assim que cruzei os três Estados do Sul. Minha segunda-feira foi tão feliz quanto infeliz. Todavia, comecei a terça-feira fazendo companhia ao motorista, a cada estação um pouco de nicotina.
Moleque arretado
8 horas do dia 07/08 às 7 horas do dia 08/08
Os macabros passos ao escuro, me perturbaram, inquietaram, e sim, assombraram. O dia foi deveras tranqüilo, a boa companhia um moleque arretado que implicou com o meu brinco, e sua meia dúzia de anos não o impediu de cantar metade das mulheres do ônibus. Já estou em terras distantes, já posso sentir o equador saltitar aos meus sentidos. E o Fisco? Este será um capítulo a parte.
A chegada do Ateu
8 horas do dia 8/08 às 7 horas do dia 09/08
Cheguei a minha primeira parada, ufa... até que enfim, não agüentava mais andar de ônibus. Era passado das 23 horas quando cheguei em Balsas no Maranhão, me hospedei em um hotel fulero, depois saí para tomar uma cerveja e espairecer um pouco. Antes que eu me esqueça, uma moça que estava viajando na primeira poltrona atrás de mim, católica fervorosa, ficou deslumbrada por ter conversado pela primeira vez com um ateu.